Conversa de Táxi
O ídolo de todos os times
mai 28
Tio Gerson fez uma corrida “rocheda” com aquela repórter que vive querendo tirar onda com o Timba, tal de Sabrina. A boyzinha tinha uma senha de entrada de estudante da festinha que rolou lá na Federal da Plim-Plim.
Aí foi melzinho na chupeta e tive que pedir o terno do Seu Tonico da Farmácia pra chegar fazendo a frente. Complicado foi ver Alício Pena Júnior ganhar o prêmio de melhor filho da… ops… árbitro do estadual apitando apenas um jogo.
Agora fico feliz em saber que Kuki mesmo sem jogar continua ganhando o prêmio como principal ídolo do campeonato nos últimos 8 anos. Custei a chegar perto do baixinho. O que tinha de torcedor da coisa pegando autógrafo e pedindo pra ele voltar a jogar, pra ir prá lá, não é brincadeira.
No final ficou meio complicado a volta, pois perdi o último ônibus que passava lá na federal e tava cheio de queijinho e presunto que peguei pro rango de hoje. A sorte foi o busão do Santa ainda tava lá pra levar Jackson, Brasão e Joelson pro Arruda. Peguei uma carona até a Encruzilhada, pois o motô era conhecido de Tio Gerson.
Eu e a torcedora suicida .
mar 12
A passageira já entrou aos prantos no táxi. Olhos vermelhos, lágrimas em abundância. Chorava conpulsivamente. Fiquei na dúvida se falava alguma coisa. Achei melhor deixar rolar. Ela, então, pediu que ele a levasse até a Torre Malacoff.
A corrida deu R$ 12. A mulher, entre soluços, me entregou uma nota de R$ 50 e mandou que ficasse com o troco. Espantado com o tamanho da gorjeta, tratei logo de guardar a nota em minha pochete (moda na época ^^). Era fim de mês, o serviço estava fraco e aquele dinheiro vinha na hora certa. Mas a curiosidade falou mais alto e, enquanto a mulher descia do táxi, resolvi perguntar o motivo do choro e de ela não querer o troco.
Ela foi direta: disse que tinha vindo até ali para se jogar de cima da usina, para se matar! Torcedora do Santinha, não aguentava mais sofrer tanto pelo tricoiô… Dito isso, bateu a porta do táxi, girou sobre os calcanhares e partiu rumo ao suicídio.
Ainda pensei em não me meter. Sou um taxista, tinha feito a corrida, ganhado uma gorjeta e fim. Não tinha nada a ver com o fato de a passageira querer se matar. Mas a mulher parecia decidida, e não podia ficar ali simplesmente esperando que ela se jogasse lá de cima. Além do mais, não parecia alto o suficiente. O máximo que ela conseguiria seria se machucar toda. Resolvi intervir.
Alcancei-a já no terraço da torre. Puxei-a pelo braço, trouxe-a de volta à razão. Tivemos uma longa conversa. O pôr-do-sol do Recife Antigo ilustrando o improvisado discurso desse taxista sobre a beleza da vida.
Dissuadida da idéia, a mulher acabou voltando para o táxi. Levei-a de volta para casa e a fiz prometer que não pensaria mais em besteira. Ao perguntar, pela última vez, se ela ficaria bem, ouvi um último pedido de minha passageira:
- Já que não vou mais morrer, será que o senhor poderia devolver meu troco?

Elementar meu caro Givanildo
fev 21

Ontem após o jogo no mangue recebi uma ligação do amigo Leivinha que pediu meus serviços taxísticos para se mandar daquele ambiente asqueroso que é o do chiqueiro.
Eu tava lá pelo chiqueiro com o táxi estacionado na UPE onde sou “amigo” de uma professora cinquentona que gosta de aprender coisas novas.
Peguei o táxi e fui levar nosso cansado porém satisfeito treinador até a sua residência, comentando sobre a atuação dos atletas da base timbu o treinador me revelou algo que deixou esse velho taxísta surpreso: Um dos principais responsáveis pela vitória havia sido Carlinhos Bala. Surpreso eu perguntei como podia, visto que o mesmo nem jogou, foi aí que ele me disse, contra o time do mangue vale tudo, até espionagem, antes do jogo José Carlos Bala foi para o vestiário das leoas com a missão de descobrir como as cachorras de peruca seriam enviadas ao esbucarado campo da ilha, Carlinho Bala acostumado a filar nas provas que fazia no colégio municipal de San Martin era o candidato mais indicado para tal artifício, ainda mais pra roubar as táticas de um técnico que na idade que tá sempre tira uma soneca antes dos jogos.
O resultado final foi um timbu organizadinho, pegando as coisetes de surpresa, enquanto Carlinhos Bala se ria que se mijava.
Sem perder a ternura jamais.
fev 12
Certa vez, passei em frente ao CNC num dia após uma derrota vergonhosa do timba… Na frente do clube, ocorria uma manifestação dos torcedores contra a diretoria com um carro de som. Segundo a organização do protesto, 500 alvirrubros estava lá. Segundo a PM, haviam 120. Eu estava parado na entrada da Rua da Angustura, observando a movimentação. No meio do buruçu, aparece uma frevioca do -na época- Poupa Ganha. Dançarinas de biquini fazendo movimentos ginecológicos ao som de “E a galera do Brasil, Delirou, delirou” (que saudade da turma do pinguim).
Devido ao trânsito, a frevioca parou bem próximo à manifestação. O som da frevioca logo cobriu o do carro de som. A galera, já meio cansada naquele sol quente, viraram-se todos para a frevioca, para admirar as meninas que rebolavam ao som de Almir “tá em todas” Rouche. Empolgada com a inesperada plateia, uma das garotas chegou a abrir a blusa! Pena que ela tava de costas pra mim… =/
Com aquela situação inusitada uma das pessoas que organizavam o movimento resolveu pegar o microfone e passou a insultar as garotas do poupa ganha, que estariam, segundo ele, “expondo-se feito pedaços de carne em um açougue”…
Oxe, pra que ele foi fazer isso? Logo o galerão começou a chamar o pobre rapaz de tudo o quanto era tipo de nome gayzal, num claro e constrangedor apoio às dançarinas.
Aconteceu tudo muito rápido. Tão logo a frevioca partiu, a manifestação foi retomada, mas já sem o ímpeto anterior. Nunca a frase de Che Guevara se aplicou tão bem: “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”.
Não me interessa se ela é coroa…
fev 05
Modéstia à parte, meu taxi é todo incrementado: banco de couro, tapetes personalizados, bandeirinhas do timba, um luxo só. O último acessório que eu instalei no táxi foi um DVD instigado. Quando ligado, uma tela sai de dentro do aparelho e reproduz a imagem. Uma beleza. Sempre tenho algum show engatilhado para deleite dos meus passageiros. Só sucesso!
Alguns dias à noite, quando tô meio cansado, Nando Leme pega o taxi pra rodar.
Dia desses, estava na frente da fila do ponto em Casa Forte quando chegou uma senhora de idade avançada, com o neto pela mão. O garoto queria ir no táxi de trás, que era um modelo maior, mais bonito. Deixei a passageira à vontade para escolher o carro, mas ela acabou convencendo o menino a embarcar no táxi do tio Gerson.
Assim que embarcou, o garoto deitou a cabeça no colo da avó e colocou os pés sobre o banco – no estofamento de couro! Nesse dia, que era o dia seguinte de uma vitória do timba sobre a coisa, minha paciência estava nas alturas. Procurei um jeito de contornar a situação sem ser indelicado. Resolvi ligar o DVD, para que o menino sentasse para assistir.
Parado no semáforo, enquanto o aparelho ligava, virei-me para trás e chamei a atenção do garoto, dizendo que aquele outro táxi que ele queria ir não tinha televisão a bordo. O menino, curioso, levantou-se e grudou o olho na tela.
Quando começou a exibição do DVD, eu ainda estava virado para trás. Ele estranhou a gemedeira que vinha do vídeo. O menino, por sua vez, arregalou os olhos enquanto a vovó parecia não estar entendendo nada.
O bixiguento do Fernando Leme havia deixado um filme pornô dentro do aparelho!! Nervoso, custei a desligar aquela baixaria.
Até hoje lá em Casa Forte, dizem que a vovó tem procurado pelo táxi do Coroa de Bigode. ¬¬ Dizem que ela tem vindo sem o neto, e com um estranho brilho nos olhos.
Sangue de Cristo tem poder.



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